Burrice ou incompetência?

04/09/2018

Não existe verdade mais contundente: não se faz omeletes sem quebrar os ovos! Aqui vou eu, então, me arriscando.

 

As últimas 24 horas foram acachapantes para qualquer brasileiro, especialmente os cariocas, que viram um preciosíssimo acervo se consumir em chamas, por detrás da silhueta de um Palácio bicentenário.

 

Enquanto o fogo consumia o Museu Nacional, engolíamos fumaça e dezenas de depoimentos igualmente tóxicos, assim como mensagens maledicentes postadas nas redes comparando venenos, indignação genuína, e outras tantas bizarrices típicas da pós-modernidade.

 

Me estarreceu, de maneira singular, ver a discrepância entre o orçamento de manutenção do Museu Nacional e alguns outros gastos do governo Federal e do Estado do Rio. Choca saber que a reforma do Maracanã consumiu mais de um bilhão de reais, e o Museu não recebia sequer a verba estimada de 520 mil reais por ano para manutenção.

 

Choca saber que um casario de 200 anos, numa cidade que já foi capital do Império Ultramarino Português, que sediou uma Copa do Mundo de Futebol e uma edição dos Jogos Olímpicos não recebia - nem custava - 520 mil reais por ano para manutenção.

 

Agora que a brisa dissipa o calor dos acontecimentos, eis que essa informação me angustia.

 

Como assim 520 mil por ano? Claro que alguma coisa não bate. Isso é orçamento de condomínio, não de um Palácio Imperial do início do século XIX, construído antes da eletricidade, dos banheiros internos… Numa Universidade que tem a Coppe, o Parque Tecnológico, o Cenpes, centenas de edifícios abandonados...

 

Talvez seja a hora de dar publicidade ao orçamento da UFRJ. O sociedade precisa entender isso melhor.

 

Certamente a verba de representação e “mordomias” da reitoria e da própria diretoria do Museu é maior do que essa.

 

É claro que isso é um exercício de retórica, e mordomias não existem na instituição.

 

Mas, presumindo que estejam mascaradas sob outros nomes, como representação, viagens internacionais etc., certamente custam mais caro.

 

Seria o caso de perguntar, então, apenas para comparar: quanto custa o gabinete do Magnífico? Quanto custa, por ano, a manutenção de cada um dos prédios do Fundão? E quanto custa a manutenção da antiga Reitoria, na Avenida Pasteur, que também já foi vítima de um incêndio sem água no hidrante?

 

É certo que muitas considerações ainda precisam ser feitas sobre a tragédia. Mas não podemos passar batidos por essa: como a manutenção de um prédio daquelas dimensões podia custar menos de 500 mil reais por ano? Quem faz esses orçamentos? Um gênio, um mago das finanças ou meramente um incompetente?

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