A eleição virou cabo de guerra

29/09/2018

 

Vivenciamos a luta entre os que querem cadeia para o rabo preso, e os que defendem o direito ao rabo solto!

 

Sentado aqui preparando um texto sobre um evento de fim de ano, sou vítima de um torturante assédio moral e intelectual que se infiltra com plins e tremeliques no meu celular: todos vem a propósito dessa estúpida campanha eleitoral de 2018.

 

Faltam apenas sete dias. Vamos trocar os governos de estados e União, dois terços do Senado e todos os Legislativos federais e estaduais. Mas o Brasil virou refém de uma discussão sombria: o que se debate não são os rumos nem as propostas ideológicas, mas… Um candidato que traz o discurso implícito da anistia ao PT, e outro que incorporou como arquétipo a luta contra a homossexualidade.

 

Ninguém mais fala sobre aborto. Ninguém se pergunta se as lideranças religiosas, todas beneficiárias do Estado por isenções de taxas e impostos de toda natureza, todas trabalhando com a fé e o transcendental deveriam assumir também o papel de  liderança política; ninguém debate segurança, saúde e educação. A universalização da pré-escola. Os modelos de crescimento sustentável. O tamanho e o papel do Estado. O público ou privado... O que importa, mesmo, é se devemos continuar criminalizando aqueles que tem o rabo preso, ou se vamos criminalizar aqueles que tem o rabo solto.

 

É tão trágico que nem piada dá jeito! O que me salva é que poucos lerão esse texto.

 

O país está aos frangalhos: sairemos dessa eleição falando em separação. Não passaremos o ano de 2019 sem ouvir essa proposta pelas tribunas do congresso. A grande questão será onde traçar a linha divisória: se sul do Rio, ou ao norte de Minas; se será apenas uma, ou se serão necessárias duas linhas divisórias.

 

Não se iludam: os únicos vencedores serão os políticos. Uma situação dessas trará espaço para mais candidatos eleitos. Na pior das hipóteses, dobram-se o número de vagas! E, em ambos, a discussão permanecerá a mesma, porque não é isso que interessa.

 

Falta só uma semana para evitar uma grande tragédia.

 

Você tem alguma causa concreta, além do rabo preso e o rabo solto?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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