O plebiscito camuflado

 

Domingo, apesar das quilométricas filas da biometria, quando o TSE aproveitou uma eleição casada com dois candidatos ao senado para formar a tempestade perfeita contra o eleitor, aconteceu um plebiscito. No Rio de Janeiro, o dedo podre do DETRAN RJ acrescentou mais algumas horas de penúria aos votantes, mas quem chegava ao fim da prova de obstáculos recebia um SIM ou NÃO camuflado na multitela sequencial dos NETs e gatonets.

 

A parada na cabine indevassável tratava da sorte de um devasso com a coisa pública, a manifestação intrínseca que tanto aguardávamos, o que a população, na condição de júri soberano, votava na questão sempre levantada pela mídia tradicional e replicada nas redes sociais: Lula livre ou preso, com ou sem hashtag.

 

E Lula perdeu fragorosamente a disputa política da liberdade, reunindo, a partir de agora, todas as condições de se tornar o “Cabral nacional” que é.

 

Para não restar dúvidas, o derrotado levou consigo alguns de seus defensores perpétuos na partida Nós x Eles, típica de buraco, que se revelou muito mais embaixo.

 

Tanto a presente consideração é verdadeira que, já no dia seguinte, segunda-feira de cinzas, na visita íntima do fantoche ao seu manipulador, Lula pediu penico, apesar de contar com um banheiro exclusivo na concorrida cela VIP. Com o presidente da Petrobras do Petrolão no comando da campanha – acredite se quiser – a marca da candidatura foi repaginada e colorida para abrigar as cores do Brasil. Fora, vermelhos PT, CUT, MST!

 

Dinheiro a rodo para a substituição cromática não falta, seja do famigerado fundo partidário, igualmente humilhado na candidatura Alckmin, seja de sobras de campanhas anteriores.

 

Pois faço aqui o papel que o Valdeci não fez, ao descansar da megera lá fora, deixando a anta com peçonha sem os dados do Jequitinhonha. Lembro à golpeada presidenta que o plebiscito também envolveu o suposto golpe. Ou gópi, como queiram. Pelas pesquisas no abrangente universo da verdadeira vox populi, de Deus ou da razão, fico com a última, ocorreu um impeachment absolutamente legal, ficando a mancha no processo a cargo da dupla Renan-Lewandowski, que manteve os direitos políticos da mulher sapiens.  

 

Pois em vez de seguir o caminho das pedras de Aécio e Gleisi, que ligou Minas ao Paraná sem arriscar a permanência em Curitiba, a arrogante tinha como meta, no mínimo, um segundo lugar no senado, conseguindo, com o quarto lugar, dobrar a meta do cérebro inexistente. Por sinal, trata-se da única razão plausível de ter sido a criação de Lula, mas que, infortunadamente para todos dos bandidos da gangue, inclusive para Temer, se voltou contra o criador pelas mãos do célebre casal de marqueteiros, cujas delações combinam muito bem com a do hoje execrado companheiro Palocci.

 

Pois o PT, agora símbolo da democracia, apesar dos vídeos de Dirceu e Jaques Wagner, este o baiano da vez, esperto como o detestável estigma carioca, o segundo turno dará o dito pelo não dito e o rebanho seguirá chamando quem não for ao pasto do pastor encarcerado de fascista, nazista, nazifascista, torturador, entre outros predicados nada ofensivos. Afinal, o ódio está com quem não quer Lula no Planalto, mas na prisão.

 

De minha parte, torço para que lá seja esquecido, a exemplo de Cabral, até para dar vez e voz a outra liderança de esquerda. Boulos, linha auxiliar desde sempre, haja vista sua ridícula votação e automática adesão, já mostrou que não reúne condições de invadir o pedaço, só fazendas e sítios como o de Atibaia. Portanto, apesar das dificuldades impostas pelos tribunais regionais, no plebiscito deu #Lulapreso na cabeça. Da jararaca.

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