A hora da estrela

Peço perdão aos leitores de Clarice Lispector pela carona no título, mas o presidiário foi a grande estrela das eleições, e a hora dele chegou, em companhia de grande histeria coletiva, como se os apelos à democracia não estivessem previamente planejados.

E Marina, em quem votei pela última vez, infelizmente, não me deixa mentir. Em vez do natural nulo, destroçada que foi por fake news do PT em 2014, a estoica veio de apoio crítico. Informo que a contagem do TSE não separa o tal voto crítico daquele 13 digitado e confirmado pelos beatos.

Portanto, malgrado ser pedra cantada em reiterados refrões, estava tudo no script da escolha de Bolsonaro como o rival perfeito de Lula para as urnas. O destemperado defensor de um torturador era o candidato mais adequado às pretensões do corruPTo-mor, o de retorno triunfal ao Planalto. Com a sua cara de pau ou na máscara de carne e osso do fantoche, ele seria reconduzido, uma vez amparado nos institutos de pesquisa com mais recall que credibilidade, Ibope apesar da Datafolha corrida de fracassos com 95% de chances de serem suspeitos, por não retratarem a realidade.

Escorados em uma bravata vencida, de muito menor gravidade que uma declaração proferida por um deputado petista que defende o multicriminoso proprietário do partido, a grande imprensa, comandada pela Rede Globo e grupo Folha, que vive de anúncios, joga as últimas cartadas contra a perda de status. Esquecendo que o controle da mídia faz parte do programa de Lula, tais veículos abrem editoriais em nome da liberdade de imprensa, na verdade mercado estatal para as suas páginas publicitárias e polpudos intervalos comerciais.

Em paralelo, parece que o óleo WD 40 que há de remover a ferrugem que grimpava a porta de FHC para Haddad já foi providenciado, e que a herança maldita já tem um despachante para torná-la palatável, edificante e democrática, como convém à estrela da hora que ergueu o muro que separa o sociólogo do capitão.

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