O primeiro homem

First Man
Enquanto Kubrick nos colocava numa perspectiva cósmica em 2001 com toda a inquietação que tocava elementos tão complexos como física quântica e inteligência artificial, este filme “O primeiro homem” de Damien Chazelle escolhe nos mostrar a perspectiva de um ser humano em dominar suas emoções e não-emoções que se torna cada vez mais obsessiva e cheia de incertezas.
Ryan Gosling, com seu habitual estilo econômico, consegue convencer como um homem que vai se moldando num comportamento granítico, no absoluto controle de seus nervos que, cada vez mais obstinado, vai surpreendendo a mulher e os filhos que acabam ficando num plano mais distante. Não trabalhar esse distanciamento talvez o deixasse com os pés muito fincados por aqui, o que dificultaria abraçar uma missão cujo retorno era incerto.
A escolha das câmeras muito próximas dos rostos captando as expressões no meio das assustadoras trepidações, já antecipa que o filme abre mão da beleza do espaço para focar nas tensões de dentro daquela nave que mais parece uma lata de sardinhas.
Claustrofóbico, tenso, o filme acaba passando bem aquilo que pretende, evitando também o excesso de patriotismo na corrida espacial. Longe de ser uma obra prima como o filme de Kubrick, “O primeiro homem” viaja de uma forma interessante por um pedaço da história em que a guerra fria também passava pela conquista do espaço. E muitos bilhões foram gastos nesses projetos, tanto na America quanto na União Soviética. O saldo disso tudo é que o homem viajou no espaço, pisou na Lua e talvez tenha pensado por alguns instantes vendo a terra lá do alto, que somos uma coisa só.

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