Papillon 2018

Há muitos filmes que prescindem de novas versões. O Papillon de Franklin J. Schafnner realizado em 1973 ainda está integro e totalmente digerível pelas novas gerações que não conhecem a história do prisioneiro que sobreviveu a torturas inimagináveis.
O novo filme, dirigido por Michael Noer e interpretado por Charlie Hunnam e Rami Malek é bem realizado, tem foco, tem ritmo, mas por ser um papel carbono do original é desnecessário. Não acrescenta nada à versão original que consagrou Dustin Hoffman numa atuação magistral do prisioneiro Degas ao lado do seu amigo Papillon, vivido pelo lendário Steve MacQueen.
Com alguma frequência a obsessão de faturar alguns milhões de dólares, as produtoras resolvem ressuscitar algum velho clássico. Recentemente tivemos um remake de Ben Hur muito pior do que o original de William Wyler. Podemos citar diversas versões medíocres de filmes perfeitos como Disque M para matar, Psicose, O galante Mr Deeds e outros.
Alguém pode imaginar alguma vantagem em refilmar obras primas assinadas por nomes como Hitchcock, Frank Capra, William Wyler ou John Ford?
Há exceções honrosas, é claro. É o caso de Nasce uma estrela que está em cartaz numa versão cheia de energia dirigida por Bradley Cooper. Aí entra o componente musical com evidente sintonia aos dias atuais. Há também ousadias como o Moulin Rouge de Baz Luhman que trabalhou com músicas modernas no cenário da belle époque e conseguiu um resultado ainda melhor do que o clássico de John Huston.
Nada contra remakes quando, ou são necessários pelo envelhecimento do original ou por estabelecer uma nova leitura do velho texto. Não é o caso desse PAPILLON que quase poderia ter usado o roteiro escrito por Dalton Trumbo em 1973, embora faça referências nos créditos.
A novidade da nova versão é que começa com o personagem título ainda desfrutando de uma vida glamorosa em Paris, onde comete o delito que determina sua prisão. O filme original já começa no porto onde Papillon embarca preso para cumprir sua pena perpétua nas Guianas.
Um bom filme assim mesmo. Deve ser visto por aqueles que não tiveram acesso ao original e mesmo por aqueles que querem novamente viver a indignação que as cenas explorando limites de resistência provocam em nossas consciências e nas barbaridades que a raça humana deixou como legado para inúmeras gerações.

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