Lobby poderoso

24/11/2018

 

Chega a ser espantoso o modo como algumas pessoas reagiram à nomeação do Ministro da Educação: a grande maioria desqualificando o Presidente e seu escolhido, enquanto outra parte se encarregava de ressaltar os méritos do preterido. Não se falou noutra coisa desde quinta-feira.

 

Rodriguiano que sou, aqui vou eu com essas mal traçadas contra a unanimidade.

 

Não conheço a extensa folha de serviços prestados do professor Mozart, que parecem qualificá-lo sem qualquer sombra de dúvidas para o posto. Mas não posso desconhecer duas questões relevantes que me puseram em sinal de alerta desde o primeiro momento em que seu nome surgiu na imprensa.

 

O primeiro é o fato de que ele dirige uma organização privada - ainda que sem fins lucrativos, mas totalmente imbricada com interesses privados: o Instituto Ayrton Senna, que desde que foi criado, em meados dos anos 90, recebe recursos públicos. A maioria, diretamente do MEC, o que deveria acender uma gigantesca luz amarela sobre a indicação.

 

A segunda, não menos importante, é o fato de que ele também é gestor do movimento denominado Todos pela Educação, que reúne as mais expressivas fortunas do país em prol de melhorias na Educação. De Bradesco e Itaú a Pão de Açúcar e outros colunáveis da Forbes.

 

Essas ações foram criadas ainda durante o Governo FHC e atravessaram os governos Lula e Dilma como aliadas e parceiras do governo.

 

Não sei o quanto preciso andar para saber que esse Ministério seria apenas “mais do mesmo”.


Rumamos para a terceira década do milênio com índices absurdos de analfabetos - absolutos e relativos, ou funcionais. Temos números inaceitáveis de evasão escolar, total despreparo para a quarta revolução industrial, e fortunas gigantescas sendo construídas com a mercantilização do ensino.

 

O ensino público fundamental deveria ser prioridade absoluta da Pasta, que se debate pela manutenção de hospitais e museus que mal consegue cuidar.

 

O quê as instituições dirigidas pelo professor Mozart - especialmente a poderosa Todos pela Educação - fizeram para modificar esse quadro?


Não seriam exatamente essas lacunas de políticas públicas que abrem espaço para que instituições como aquelas que ele dirige se enquistem no Estado, formando feudos e principados como a Fundação Cesgranrio, por exemplo?

 

Essa nomeação representaria, então, o encerramento das atividades do Instituto e do Movimento? Não li uma única linha a respeito, sequer como lamento dos demais integrantes e dirigentes daquelas entidades.

 

Não sei se Ministro escolhido e torpedeado pretende enfrentar ou vai resolver metade desses problemas. Mas prefiro acreditar que ele o faça, porque o outro me parece dedicado a outros temas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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