No "selve service" da Esquina

Nesta segunda feira passo a pensar na vida: como ela é curta, embora em certos momentos, desejasse que fosse curta mesmo.
Há momentos indesejáveis, mas, sobretudo há muitos que deixamos passar sem tomar seu gosto, sem tomá-los na mão e alongá-los por um tempo.
O pensamento, pelo menos o meu é pesadelo, raro é uma borboleta.
Quem sou eu me pergunto, o que fiz, o que devo fazer no que me resta de vida.
No meio de tudo isso, talvez o melhor é não pensar, mas não pensar é impossível. É bem verdade que tenho na minha mesa uma pedrinha redondinha pequena, um verdadeiro milagre da natureza: ela é poesia e me leva pra longe.
Eis que vejo na TV a Rainha da Inglaterra, com seu colar de rubis e diamantes num banquete imperial, todo mundo medalhado, solene, num exagero de luxo e falsidade, uma pompa neurótica onde não pousa uma borboleta.
Não sei se há borboletas no reino da Inglaterra, a Inglaterra que dominou o mundo e agora sua rainha velinha, curvada, talvez possa nunca ter visto uma borboleta azul, embora tenha um colar de diamantes e rubis; colar, brincos e uma coroa, todos de diamantes e rubis.
Mas o negócio é que hoje é segunda-feira e quem sabe eu não queria estar no banquete da rainha? Se o Trump estava lá, porque eu não poderia estar?
Alias a mulher do Trump estava em outra cerimônia, com um chapéu elegante, combinando com o traje. Alias, ainda, a Rainha nessa ocasião, estava com um costume verde com seu tradicional chapéu verde também.
Eu vejo tudo isto meio perplexo, muito critico, com uma inveja enrustida, e me lembro que hoje é segunda-feira. Dia de tutu-de-feijão, couve à mineira, e carne seca no almoço do “selve service” da esquina.

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