Assim falou Bolsonero

Amo meu povo!

Imenso país, de ventura tamanha! Qual seria seu destino sem o mito que agora o guia?

Estou saturado de minha sabedoria, como alguém que comeu demais e que, apenas dia sim, dia não, deve aliviar o excesso. 

Sei que o povo se rejubila de minha sensatez que a uns parece insana loucura, a outros, pura imbecilidade e, a outros, pior ainda, boçalidade impura.

Amo a deus e nele me vejo. E não aos idiotas úteis, por ser inútil e por serem inúteis. 

Subindo a montanha, ninguém poderá dizer que, no planalto, johnny bravo está mudado.

Sempre fui assim, talquei?

Amo meu povo! Há quem diga que não levei a facada. Acabou a palhaçada, talquei? Como teria sido eleito se não tivesse levado a facada? Eu levei a facada, astro exuberante agora esfumaçado pelas queimadas! Eu fui eleito! Eu sou o eleito! Essa queimação toda, do Oiapoque a Chuí, passando pelo Congresso, pelo STF, pela imprensa vendida, não me atinge, apesar da língua vil dos detratores inflamados e intrigantes maledicentes. O sangue derramado da facada é a urina dourada vertida no cálice do carnaval. 

Cocô, urina, fezes, de que é feito o mito escatológico? O mito encarna a anticorrupção venal e moral, ó mores, das entranhas anais da sociedade. O povo precisa entender: o mito não dorme; o mito desperto é esperto. E, à noite, ao ouvirem, já no leito ou ao relento, andar lá fora um inimigo, perguntam-se com certeza: “Quem chama por mim e pelo meu mau sono?
Aonde irá esse ladrão que desde um simples cidadão armado a um atirador de elite, bem treinado sniperparaquedista, não possa eliminar?”

Tudo arde! Tudo urge! A Amazônia está em chamas, o país está em chamas, e os culpados de tudo isso aí vão sendo queimados. Se não demoro, a batata de alguns ministros logo estará assada, a tempo de botar um hambúrguer para fritar. Ardem em chamas também nos gabinetes os fiéis amigos que se transmutam em infiéis inimigos. Ateando fogo aos debates das matas, boto veados lgbts para correr e vejo tucanos “doriados”, queimados como urubus, voarem para o deserto em que se transformou essa tal península asiática que teimam em chamar Europa. Para mim, europa é marca de filtro de cozinha. 

“Vai-te embora, há gente demais que te odeia”, ouço vozes chiando por aí. Estão querendo me derrubar no twitter, na imprensa nacional e internacional, “pelamordedeus!!!”. Por todo lugar, aqueles que não o conseguiram antes, hoje ou amanhã, talvez, querem ou vão querer me derrubar. Ó agosto de tanto desgosto. Chamam-me inimigo os fiéis infiéis da verdadeira fé.

Seduzir e afastar muitos do rebanho – eis a meta a que vim. Encontrei mais perigo entre os homens que entre animais. Muitos dos meus primeiros comparsas, aqueles falsos fiéis que batiam panelas, já descansam em paz. Como Nero, lavo as mãos e me rejubilo: restarão os olavos e os trumpeiros que tocam trumpetes.

Pelos poderes de grayskull, eu tenho a força, a caneta bic, a caixa de fósforos e o isqueiro bic.
Eu sou o eleito. Eu sou o escolhido. Quando setembro vier, será primavera. Até lá, aquele que disser que eu disse o que disse será acusado, perseguido, demitido e condenado por ter dito que eu disse o que não disse, sendo de fato apenas fake news comprovadas com fatos ulteriores aos erros anteriores. Como se pode deixar queimar o que já queimado está? PT, saudações.
Consideram-me um perigo para o povo que amo. Quem se aventurar de tal desventura garanto: é caso de internação; afinal, minha fome assalta-me depois das refeições e, hoje, durante o dia inteiro não me apareceu. Estarei agora constipado? Para quem faz cagada todo dia, não deve ser fácil fazer cocô, dia sim, dia não. Ó danação, não serei coveiro da nação que arde em chamas. Ó INPE, ó Ibama, ó polícia federal, ó essa tal de ONG de interesses inconfessos, ó indígenas relativamente incapazes, ó esse Zaratustrazinho que gosta bem de uma intrigazinha internacional, maravilho-me com a floresta em queimadas e maravilho-me também comigo mesmo. Hein, me digam, quem nunca brincou de queimada na infância?

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