Os campeões de voto e a democracia

13/10/2019

O primeiro que conheci foi o Cacareco.

Era um rinoceronte do zoológico de São Paulo e se tornou “vereador” em São Paulo na eleição de 1959. Depois se tornou símbolo do protesto contra a truculência dos militares que relativizavam a democracia com suas eleições pra inglês ver, feita com prefeitos, senadores e governadores biônicos. Ele inspirou a votação no Macaco Tião no começo dos anos 70.

Depois as coisas foram mudando. Os políticos foram se afastando da população e os personagens mais midiáticos foram caindo na preferência do povo, como se a fama fosse pré requisito para o exercício do cargo. 

Primeiro tivemos a fase dos jogadores de futebol e finalmente a fase do palhaço, que parece ter se ampliado.

Ainda estão por ser compiladas as contribuições que Roberto Dinamite, Sócrates, Romário e Tiririca deram à vida Nacional. É mais fácil falar das consequências.

Tiririca, por exemplo, recolocou na cena política o Sr. Valdemar da Costa Neto, figura emblemática do Mensalão, dono do PR e de sua íntegra bancada, e que não teria sido eleito apenas com os seus votos. Indultado pelo vice golpista Michel Temer, o Deputado tem várias contas a ajustar com a Justiça, mas agora na condição de Réu Primário.

Nas últimas eleições (2018) o confronto entre petistas e a sociedade produziu novos campeões de voto. O resultado prático foi o inchaço do PSL, partido de Jair Bolsonaro, que agora, menos de um ano depois da eleição, se estapeia pelo butim do fundo partidário.

Com votações expressivas acima de 1 milhão de eleitores, o que esses representantes têm feito de prático pela política nacional? Como conseguem impedir, por exemplo, as ações corporativas do Congresso, como se vê agora na reforma da Previdência? Que grande contribuição (política) estamos tendo desses campeões de voto?

E o que dizer de Eduardo Bolsonaro, com seus quase 1,9 milhões de votos, cujo projeto principal é ser Embaixador nos Estados Unidos? Que contribuições dará à República como Embaixador?

No Rio de Janeiro tivemos o Hélio Lopes, o "Hélio Negão", Deputado Federal que engordou a legenda quando foi eleito com o maior número de votos do Estado. Que grandes feitos políticos o habilitam a representar o Estado do Rio no Congresso?

Então é disso que se trata a Democracia?

Os representantes do povo devem ser os que se sobressaem na mídia? Ou os que melhor representam o protesto da vez, como nos casos do cacareco, tiririca e família Bolsonaro?

Temos visto como as mazelas da Educação criam esses fenômenos eleitorais. O grosso de nossa população é feito com evadidos apinhados em comunidades vulneráveis. Pessoas destituídas de quase tudo, principalmente do direito de escolha. Pessoas que funcionam como massa de manobra para inescrupulosos que dominam as tais “bases eleitorais”.

A fragilidade do sistema é tão grande que grupos políticos mais incomodados com a distribuição do poder sonham com apresentadores de televisão para disputar a presidência da república.

A Democracia precisa de uma saída, antes que elejam o Marcelo Adnet para o Senado, ou o Coringa para a Presidência da República.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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