No inferno com Dante

Então, alguém aí já viu partido unido? Partido é partido, meudeusdocéu. Agora, me acusam de rachar o partido! Já não é partido? Se é partido, já está rachado! Não tem nada dessa história de partido inteiro, ora essa. Partido bom é partido rachado! É como laranja: tem que partir para chupar. Você votou no partido? Chuuuupa! 

E agora, hein, vem este levante do Peru e esta revolta no Ecuador. Bem essa no Ecuador deve doer um bocadinho... Mas não é a isso que quero me referir: é que toda idéia que eu tenho, vem esse pessoalzinho aí e copia tudo: só porque estou levantando o peru aqui, já inventam de levantar o peru lá também. Só que o Peru é pequeno, quero ver é levantar o pau Brasil. Só porque já me passou aqui no cu a dor, numa operação bem sucedida, diga-se de passagem, vem essa revolta aí no Equador. Copiam tudo. Como quando o Brasil lançou foguete – se lembram – o pessoal já queria ver Cuba lançar. Meu deus do céu: cu balançando só no Carnaval, minha gente.

Falando em batuque, não ouço panelas batendo... Onde andarão as janaínas e panelas? E aqueles idiotas úteis não vão partir para a guerra contra os idiotas inúteis? Ai, ai, ai Queirós, o quê que será de nós? Chega de chacrinha: eu também vim para confundir. Vou fundar o partido da buzina. Virou para a esquerda, buzinaço. Tá desempregado, toca buzina.

Cêstão rindiquê? Só porque chegou a hora da divina comédia? Podem me chamar de ignorante, mas esse Dante é mesmo uma comédia: vive dando para todo mundo e ainda não quer ser chamado de veado, hein Dante?
Vem cá, ô Dante, que história é essa de inferno, logo agora que o Brasil tem uma santa? Pára com isso, ô Dante. Você não sabe que a terra é plana? A terra é plana, Dante. Inferno, onde? Se a terra é plana? O pessoal do agronegócio, senhores feudais do maior poderio, quais generais de mais afortunada estrela, esse pessoal que apóia aqui o Capitão Moto-Serra gosta de terra plana para desmatar e encher de gado e soja. Nada da porra da árvore!

Só se for aqui, em Brasília, o inferno. Não salvou nem o Joãodedeus aqui do lado... E euzinho, meu deus do céu, saindo lá do Eldorado, achando que a presidência seria o paraíso. Agora, Dante, “ocê” pode estar com a razão, “cê” pode estar com a razão mesmo: isso aqui é mesmo o inferno. Mas eu não entrei no governo para sair do governo, só porque acham que quem tá dentro tem de sair e quem está fora tem que entrar. Já falei: ô Mourão, finge de poste.

Mourão não é mourão? É só fingir de poste em vez de ficar dando entrevista, posando de bonzinho e de sensato, passando a impressão de que está na hora da fila andar. A fila só anda quando eu mandar. No SUS, no Inamps, na estação da Central, em todo lugar. Eu tenho o mandato. Eu tô mandando: a fila só anda quando eu mandar.

Só porque pareço ter a mente conturbada, o “cara”, macri ou macron, o magrinho lá vem me chamar de mentiroso? Estou cheio de ser perseguido. E estou por aqui com esse atrapalhado do Trump também. Não vou mais apoiar a candidatura dele à reeleição, não. Reeleição só a minha.

Vejam vocês se não tenho razão: o cara me promete – eu não pedi nada, nem um hamburguerzinho xexelento, mal frito até – aí o cara lá promete que o Brasil ia ganhar um pirulito docedeé – nem é doce de leite, não, talquei? – é docedeé e depois não dá nada? E ainda vem com essa desculpinha esfarrapada de Maradona que a Argentina tava na fila? Nisso eu sou igual lá o Lula: prometeu tem que cumprir. Cadê meu pirulito?

Aqui não tem luxúria não, seu Dante: estou em lua de mel com todos com quem converso. Ouça aí as gravações. Nem iracundos, nem gigantes soberbos: viram o que acontece com quem mexe comigo? Mando a PF atrás. Boto logo na geladeira. Já demiti vários amigos fiéis. Vim para acabar com a violência, a desordem e a corrupção, nessa ordem. Depois, com a economia, educação e relações exteriores. Bota abaixo!
A violência anda terrível: guelfos engolfados, gibelinos saídos de gibis, tantas facções... Políticos contra políticos, milicianos contra milicianos, traficantes contra traficantes. Essa violência dantesca, ô Dante, tem que acabar, senão daqui a pouco, de tanto um matar o outro e o outro um, acaba a violência, não havendo ninguém mais para matar. Nada de Rousseau por aqui, nada de homem lobo do homem. Aqui não tem lobo comendo loba nenhuma não.
Aqui, lobo come a chapeuzinho vermelho. Quem come a vovozinha é o francês lá, que gosta bem de uma... carninha bem passada... Kkkkk... Deixa prá lá...
Comigo é assim, não tem essa de raposa no galinheiro. Aqui é igual na novela: gato come gata, menino de azul, menina de rosa, tudo separadinho. Não tem mais aquela suruba do PT, talquei? Vamos reformar essa bagunça: além do papai aqui, só o leão do imposto de renda é que está autorizado a foder com todo o mundo, mesmo assim desde que não corra atrás da minha família. Ou vocês acham que CPF tem a ver com Polícia Federal? E já anuncio: vem aí a reforma da bagunça.
Para acabar com a violência, decretei: todos em armas. Mandei subir o valor de compra no free shop pros meus meninos poderem comprar garrucha e espingarda. Já pensou: cada vez que o zero 3 vier de Washington, vai poder comprar uma mauser, uma beretta. Vou até reduzir essa tal de maioridade penal para adolescentes, crianças até, poderem ter porte de arma. E para acabar com a desordem, a ordem é patinete para todos, não só para as crianças.
Querem igualdade: armas para as crianças, patinetes para o pessoal que circula aqui pelos Três Poderes. E fica proibida bicicleta com rodinha. Imagina só, o exemplo, os senhores políticos andando de bicicleta com rodinha? Quem gosta de rodinha, “cês” sabem, não preciso dizer. Pelamordedeus, ninguém merece.

Vocês ouviram o Gil falar, esse pessoalzinho da esquerda aí, ministro do nove dedos, já sabem, né? Sabem o que ele disse? Vejam se eu não tenho razão mesmo estando fora da razão: “a maconha tem uma coisa” – tá aqui no jornal, pessoal, não é fake news, não, não sou eu que estou dizendo – “a maconha clica uma coisa na interioridade” – não é coisa de... velha? Essa tal de interioridade? Que vai penetrando? Olha, tá aqui no jornal, meudeusdocéu. Onde estamos? Para onde vamos assim desse jeito? E ainda querem lei rouanet, lei do escurinho do cinema, tudo gay, tudo lgbt. Onde você mexe tem caixa preta. Vamos, me digam: onde foi parar esse dinheiro todo que o pessoal do laranjal roubou? Cês acham que foi tudo lá praquele tal de sítio lá de Maricá ou praquele duplex? Pelamordedeus, eu tenho cara de bobo? Me respondam, hein, hein, tenho cara de bobo, eu? Eu passo laquê no cabelo para ficar penteadinho...

E a oposição malhando, os outros presidentes, aqui, querendo me derrubar. Que manicômio é esse tal de congresso? Não irei mais àquele asilo de loucos. O tal de índio maia, lá, parece um tourinho sentado, e ainda torce pro Botafogo, pelamordedeus. Me criou um monte de dificuldades, mas eu tenho a caneta: criei mais dificuldades do que ele. Tô no lucro. Ele me enganou umas vezes, eu enganei o dobro. Tenho a vantagem do VAR. E, ainda mais, o Flamengo tá na liderança. Eu não vou recuar, eu não ando de ré, kékéké, segue o líder!!! 

Vou dizer uma coisa para vocês... Acabo de sobrevoar as praias do litoral do Nordeste, que a Venezuela mandou inundar de óleo: praias lindas de areias negras, tartarugas negras, brilhantes, mulheres estonteantes estendidas nas areias, bezuntadas sem precisar trazer óleo de casa. Ah esse pessoal que corria para comprar Rayito de Sol para usar nas praias de Miami e Portugal, agora pode aproveitar este óleo maravilhoso que a natureza nos deu. Poço profundo de pré-sal? Já era: agora o óleo vem boiando no mar pronto para consumo, nem precisa perfurar.

Ó povo abastado, ó povo abestado de tantos bastardos, será isto que Dante deu como o precipício do inferno? Hein, seu Dante, depois não me venha dizer que eu não avisei: o Natal está chegando com um cestão prá todos os brasileiros, talquei: cêstão fudidos!

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