Tomando no períneo

Quando se supunha que as coisas estão a andar de ponta-cabeça, pondo tudo e nada fora do lugar como uma epidemia da loucura, eis que chega a confirmação: a moda, agora, é tomar sol no períneo.

Havia antes os que nasciam com ele para a lua, os sortudos. Segundo a nova doutrina – que afinal não é tão nova (trata-se de segredo taoísta milenar, somente agora revelado nas redes sociais), não é por ali que apenas entra a sorte; entra também o sopro da vida, que é como se pode chamar essa prática do pum invertido. 

A moda de bronzear o fiofó chega do hemisfério norte, mas certamente cairá bem no verão dos trópicos, ao sul do Equador – sem trocadilho. A receita é simples, está na web: deite-se ao ar livre, erga bem as pernas, um pé a leste, outro a oeste, aponte o períneo na direção certa, arreganhe e deixe o sol entrar. Os iluminados relatam a luz arrebatadora, sensação de calma e bem-estar, além do calor e do bronzeado.

As redes sociais estão sempre a lançar moda: já foi o tempo do banho de gelo, do emprego de formigas para suturar feridas (como os antigos faziam antes dos cirurgiões), do uso de extrato do saco do castor para fazer sorvete ou da secreção do laccifer lacca, um inseto das florestas da Índia, para dar maciez às guloseimas e consistência aos cosméticos. 

No caso do sol no períneo, recomenda-se a energização com moderação, deve durar coisa de 30 segundos a 5 minutos, no máximo; afinal, não se deve abusar dessa nova prática de bronzeamento: além do sol, outro invasor solerte poderá entrar.

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