Crivella contra o Rio

Com apenas dois de meus 64 anos vividos fora do Rio, e mesmo assim tendo ficado por perto, posso garantir que nunca a minha cidade sofreu tanto por obra de um prefeito tão horroroso. E olha que a concorrência é “de responsa”, como se diz – ou dizia - por aqui.

Que me perdoe o Posto Ipiranga em mais um exercício de péssima retórica, mas é mais fácil uma doméstica passear na Disney do que visitar o Cristo Redentor ou a Estrada das Paineiras, na Floresta da Tijuca, aqui do lado.

Não há dólar alto que consiga colocar empregada ou patrão na via pública mais linda que eu conheço. Neste verão, nem pensar! 

No último sábado, belíssimo dia de Sol, sem qualquer nuvem no céu, eu, hoje aposentado, fui levar uns amigos do Nordeste para um passeio que costumava fazer todos os dias a trabalho. Para fugir dos engarrafamentos, minha rotina era fazer o caminho da Barra para o Centro, com o percurso Barra – Joá - São Conrado – Estreada das Canoas – Alto da Boa Vista – Estrada do Redentor – Paineiras – Dona Marta - Santa Teresa – Centro. 

Entretanto, a poucos metros do Alto da Boa Vista, a guarda municipal me parou para informar que a via estava interditada. Quando perguntei o motivo, pois nada vira no jornal, reponderam que a interdição datava de 30 de setembro. Ou seja, nem só a famosa Niemeyer está fechada aos turistas e eventuais domésticas. 

Nesse dia, o acesso pela outra ponta, pelo Cosme Velho, seria impossível por causa dos inúmeros blocos espalhados por Laranjeiras, Botafogo, Lagoa e Ipanema, coisa que há de se estender até o carnaval. 

Com vergonha do nosso prefeito, pedi desculpas pela ignorância e fui à Cascatinha, Lago das Fadas, Restaurante Os Esquilos, Enchanted Valley, Mesa do Imperador e Vista Chinesa. 

Com eles encantados pelas inúmeras paisagens, eu pensava em seguir para o Jardim Botânico pelo Horto. Porém – novidade – a estrada também se encontrava interrompida, sem previsão para reabertura. 

Pois interditado devia estar o Bispo Crivella, um pária Universal, cujo grande feito foi destruir com retroescavadeiras da prefeitura a praça do pedágio da Linha Amarela, máquinas que deveriam estar removendo as pedras das estradas atingidas. E a conta ainda será paga por todos os cariocas, e não pelo irresponsável gestor. 

De volta ao passeio, pelo menos na Cascatinha, pudemos beber água não tratada pela CEDAE, sem geosmina, a salvo do tratamento no Guandu. 

Fato é que a Floresta da Tijuca, se tratada por governos responsáveis e decentes, seria um programa muito melhor e mais barato do que qualquer Magic Kingdom. A começar pelas Pedras da Gávea, Bonita e Pico da Tijuca, bem mais inesquecíveis do que as famosas montanhas russas da Flórida.

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