A música e o disco

03/06/2020

 

O cinema ainda nem existia quando os gramofones ocupavam as casas da classe média alta com suas cornetas amplificadoras, enchendo o mundo de música, e o mundo da música de dinheiro, tudo em 78 rotações por minuto. A indústria do disco foi o berço da indústria do entretenimento.

 

Ficou assim por mais de cem anos, aproveitando e resistindo ao surgimento do cinema, do rádio e da televisão. Mas sempre se atualizando e incorporando novas tecnologias, como as rotações menores, a alta fidelidade, o som estéreo e os Compact Discs, os CDs.

 

Ela sempre foi fechada e restritiva, com o mundo batendo à sua porta em busca de um lugar ao sol. Mas sempre soube, mais do que o cinema, por exemplo, escolher os que deveriam entrar e manter de fora os que a incomodassem.

 

Na ponta, entre as gravadoras e o público, ficavam as grandes distribuidoras de discos, como a HMV (de His Master’s Voice), e a Virgin Records, as duas maiores cadeias de lojas, presentes em quase todos os países do primeiro mundo, incorporadas à paisagem da Piccadilly Circus (HMV) e da Broadway (Virgin), como símbolos absolutos da pujança dessa cadeia produtiva. A Virgin tinha mais de quatro andares repletos de discos.

 

A indústria do disco cometeu muitos erros, mas rapidamente os corrigiu, eliminando seus fracassos e os encobrindo com lucros bilionários. O maior deles, entretanto, aquele que realmente não previu a tempo, foi a revolução da internet. E a grande maioria sucumbiu às novas gigantes da mídia, como o YouTube e a Spotify.

 

Algumas migraram para outras áreas, como a Sony, enquanto outras simplesmente sucumbiram à revolução da web, como a RCA - Radio Corporation of América, que simplesmente fechou am 1986. Hoje suas produções fazem parte do acervo da Sony.

 

Mas a revolução digital não causou apenas desastres. Esse casamento da indústria da música (e não mais do disco) com a internet, criou um mundo à parte, muito mais sofisticado e milionário do que o anterior, como por exemplo os smartphones. Eles acoplaram a ideia dos primeiros reprodutores portáteis de música (o Disc-Man, lançado pela Sony sucedendo os radinhos de pilha e os gravadores K-7), com a nova tecnologia, criando o i-Pod, de Play-on-demand. Desprezavam, assim, todo o suporte físico do disco, dedicando-se exclusivamente ao conteúdo - a música, transmitida como protocolo de internet.

 

Poucos artistas de hoje passaram pela experiência de receber um autêntico “Disco de Platina”, troféu concedido apenas àqueles que ultrapassavam a venda de 1 milhão de discos…

 

Em compensação, muitos ultrapassam a marca de 50, 100 milhões de acessos e views… Mas é preciso dizer que não é a mesma coisa. Para receber o que recebiam pelos discos, em termos de compensação financeira, o setor têm que recorrer a outros meios, como os shows, a cobrança de direitos conexos e aos festivais.

 

Estamos lançando uma Rádio e Televisão por IP chamada Sonora. E queremos recuperar a arqueologia dessa indústria, trazendo para vocês, ouvintes, espectadores e leitores, um pouco da história dos artistas e profissionais da Indústria do Disco para compor, enquanto ainda é possível, um retrato do que foi esse setor no Brasil.

 

E começamos pela entrevista com Luiz Pessanha, um Capista. O profissional que criava as capas dos discos: a imagem, a embalagem perfeita que traduzia e mediava, na mídia da época, a expectativa dos artistas, da indústria e dos consumidores, fazendo com que os discos vendessem, e a roda girasse.

 

Ele é um dos componentes dessa engrenagem. Aos poucos traremos muitos outros, até chegarmos à moça do cafezinho, como bem lembra Pessanha, de fundamental importância num mundo que existia nas madrugadas.

Visite a Sonora, Rádio e TV em www.sonorartv.com

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